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Mulher que aparece em vídeo dando banho de pipoca em Lula vai à Justiça contra Michelle Bolsonaro e vereadora de SP por intolerância religiosa

Mulher denuncia intolerância religiosa em postagem de vereadora e Michelle Bolsonaro
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Mulher denuncia intolerância religiosa em postagem de vereadora e Michelle Bolsonaro

Jairã Andrade dos Santos, 53 anos, apesentou uma queixa-crime por intolerância religiosa contra a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos), de São Paulo, na última sexta(12).


Ela denunciou ter sofrido ataques de intolerância religiosa após a divulgação de um vídeo no qual aparece dando um banho de pipoca no ex-presidente Lula. Na postagem, a primeira-dama e a ex-vereadora associam às trevas o ritual – que faz parte de religiões de matriz africana, como o candomblé.

“Sou iniciada no candomblé e respeito todos", desabafou Jairã, que trabalha como baiana de receptivo. "Não acho justo este tipo de comentário preconceituoso, estou injuriada com esta situação, é uma fama que confunde, de um lado tem gente que elogia, por estar com Lula e outros criticam, isso preocupa. Entrego a Deus pra ser tudo resolvido.”

Na segunda-feira (8), Michelle Bolsonaro compartilhou nas redes sociais um vídeo que mostra a baiana com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à Presidência do Brasil. Na legenda, a primeira-dama afirmou: “Isso pode, né! Eu falar de Deus, não”.


A publicação compartilhada por Michelle foi feita foi pela vereadora Sonaira Fernandes, também na segunda-feira (8). Na legenda, a vereadora escreve:

"Lula já entregou sua alma para vencer essa eleição. Não lutamos contra a carne nem o sangue, mas contra os principados e potestades das trevas. O cristão tem que ter a coragem de falar de política hoje, para não ser proibido de falar de Jesus amanhã".

O vídeo que mostra Lula recebendo um banho de pipoca foi gravado em 26 agosto do ano passado, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Ele foi originalmente publicado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

Vereadora fez publicação de repúdio a ritual de religiões de matrizes africanas — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Vereadora fez publicação de repúdio a ritual de religiões de matrizes africanas — Foto: Reprodução/Redes Sociais


Jairã Andrade dos Santos também é conhecida como Dekka Direitinha. Ela é baiana de receptivo há 20 anos – trabalha recepcionando convidados e turistas em eventos na Bahia. Também é assessora parlamentar do deputado estadual do PT da Bahia Rosemberg Pinto, dona de uma marca de molho de pimenta e fundadora do bloco feminino As Direitinhas, no bairro Nordeste de Amaralina.

O advogado Rodrigo Coelho, responsável pela defesa da baiana, informou ao g1 que apresentou uma queixa-crime por injúria contra Sonaira Fernandes e Michelle Bolsonaro na sexta (12).

A reportagem teve acesso ao documento nesta segunda-feira (16).

"O fato tomou conta do país, tendo a imagem da querelante circulado como uma pessoa associada às trevas em virtude de fazer parte de religião diferente a religião da Querelada, gerando danos à imagem, constrangimento e sendo motivo de piadas entre as pessoas. Portanto, pelos fatos narrados não restam dúvidas que a querelada foi autora do crime indicado, razão pela qual requer a sua condenação", diz parte do documento.

De acordo com Rodrigo Coelho, a ação foi ingressada com a qualificadora em decorrência da raça, cor e religião. Ela foi distribuída no 1° Juizado de Nazaré, em Salvador.

"Além da condenação de quem praticou o ato, nós queremos a retratação da vereadora Sonaira Fernandes e Michelle Bolsonaro e que as duas publiquem, nas redes sociais, posts sobre a intolerância religiosa e a história das religiões de matrizes africanas", disse Rodrigo Coelho.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) informou que a petição contra a vereadora Sonaira Fernandes foi protocolada e distribuída na sexta-feira (12) e tramita na 4ª Vara do Sistema dos Juizados Especiais Criminal.

De acordo com o TJ-BA o processo foi enviado para análise do juiz na segunda (15).

Já a queixa-crime contra Michelle Bolsonaro foi protocolada em segredo de Justiça, segundo a defesa de Jairã.

"O processo será redistribuído em virtude do declínio de competência. Não podemos dar mais detalhes em virtude do segredo, mas acredito que com novo magistrado o segredo deve cair", afirmou o advogado Rodrigo Coelho.

g1 entrou em contato com a vereadora Sonaira Fernandes e com a assessoria de Michelle Bolsonaro por telefone, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Em nota, o Coletivo de Entidades Negras repudiou o caso e disse que Michele Bolsonaro estimula a perseguição às religiões de matriz africana.

"Michele Bolsonaro estimula a perseguição às religiões de matriz africana. O ato de intolerância religiosa praticado por ela reforça todo o ódio que é característica central do bolsonarismo nesses anos de governo. [...]

A primeira-dama não só divulgou vídeo racista que ataca encontro do ex-presidente Lula com lideranças do candomblé, definindo nossa religião como ritual "trevas" e dos "demônios", como usou também as redes sociais para escrever barbaridades que se configuram em grave violação de direitos humanos contra o povo de axé. [...]

Reafirmamos que racismo é crime, intolerância religiosa é crime e racismo religioso também! Michele Bolsonaro terá que pagar pelo crime que cometeu."



nanomag

Radialista Publicitario e Líder dos movimentos sociais.


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