O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025. Esse indicador global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) identifica países onde mais de 2,5% da população vive em situação de subnutrição crônica, ou seja, quando a ingestão habitual de alimentos fica abaixo do necessário para manter uma vida saudável e ativa. As informações estão no Relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025), lançado pela FAO.
A primeira vez que o país saiu do Mapa da Fome foi em 2014, resultado da queda de aproximadamente 82% na população subnutrida. A pandemia de covid reverteu os avanços, que só foram recuperados no ano passado.
Quando o combate à fome deixa de ser promessa e vira estrutura
A saída do Brasil do Mapa da Fome resulta de políticas públicas que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável.
No âmbito estadual, o Governo do Ceará atua no combate à fome por meio do Programa Ceará Sem Fome, reconhecido nacionalmente com o prêmio Brasil Sem Fome.
A política pública criada pelo Governo do Ceará nos últimos três anos e formalizada por lei estadual constitui uma estrutura que atua em diversas frentes simultaneamente, com o objetivo de assegurar que uma alimentação nutritiva esteja ao alcance de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.
O Programa Ceará Sem Fome opera como política pública permanente, com governança que envolve 19 secretarias estaduais e órgãos vinculados em modelo intersetorial. Possui três frentes emergenciais: o cartão no valor de R$ 300, que atende mais de 47 mil famílias; as 1.300 cozinhas em todos os 184 municípios cearenses, responsáveis pela distribuição de cerca de 130 mil refeições por dia, totalizando mais de 65 milhões de refeições entregues desde a criação do programa; e as campanhas de arrecadação, que já somam mais de 500 toneladas de alimentos.
Muito mais do que um prato de comida: dignidade, formação, renda e mudança de perspectivas
Além das ações imediatas, o programa conta com ações estruturantes, como o eixo Ceará Sem Fome +Qualificação e Renda, que oferece oportunidades de qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho e apoio ao empreendedorismo. Desde a criação do eixo, em 2024, mais de 27 mil beneficiários foram qualificados em 174 municípios, com cursos nas áreas de gastronomia, finanças, serviços de beleza e tecnologia.
O modelo adota a economia circular como forma de ampliar impacto social e econômico. As cozinhas compram insumos prioritariamente da agricultura familiar regional, enquanto o cartão- alimentação privilegia pequenos produtores locais. Ao mesmo tempo, as 1.300 cozinhas são administradas por 40 organizações da sociedade civil selecionadas por edital público, responsáveis pela operação, qualidade e logística das unidades, garantindo padrão no preparo e na distribuição das refeições.
No final de 2025, o Governo do Ceará lançou um novo eixo do programa, o Ceará Sem Fome +Saúde. A iniciativa integra ações de atenção primária, acompanhamento nutricional e cuidado em saúde mental às famílias atendidas em todo o estado.
Os resultados aparecem nos indicadores. Uma pesquisa conduzida pela Controladoria Geral do Estado aponta aprovação de 97,2% entre beneficiários das cozinhas e 100% entre usuários do cartão. Além disso, o programa recebeu o prêmio Brasil Sem Fome, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Social em parceria com o Banco Mundial, com base em critérios como impacto na redução da insegurança alimentar, modelo de gestão, satisfação dos usuários e sustentabilidade operacional. Segundo dados do comitê gestor, a insegurança alimentar grave no Ceará atingiu em 2025 o menor índice da série histórica.
Com o Brasil fora do Mapa da Fome, o desafio agora é consolidar a conquista. A experiência cearense apresenta um modelo que combina assistência imediata, desenvolvimento econômico local e qualificação profissional como estratégia integrada de enfrentamento à insegurança alimentar. Saiba mais em: https://www.cearasemfome.ce.gov.br/
FONTE: O ANTAGONISTA













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